A bulimia nervosa vem sendo também bastante divulgada pela mídia em geral. Em alguns países, como a França, a bulimia já foi chamada de epidemia.
Os sintomas que caracterizam a bulimia nervosa podem ser resumidos na lista abaixo. Esta lista é uma adaptação dos critérios diagnósticos para bulimia nervosa da quarta edição do manual de diagnósticos psiquiátricos da American Psychiatric Association (DSM IV?, 1994). Qualquer pessoa que, ao ler esta lista, achar que pode ter um diagnóstico da doença, deverá tê-lo confirmado por um especialista da área.
1. Episódios recorrentes de descontrole alimentar, caracterizados por:
a.comer, num curto período de tempo, uma grande ou
imensa quantidade de comida;
b. sensação de perda de controle sobre o que ou o quanto se come.
2. Comportamentos não apropriados e recorrentes, visando não ganhar
peso (vômitos auto-induzidos; uso inadequado de laxantes, diuréticos ou
outras medicações, lavagens intestinais, jejuns prolongados ou exercícios
excessivos).
3. Tanto os episódios de descontrole alimentar quanto os comportamentos descritos no item 2 ocorrem, em média, ao menos duas vezes por semana nos últimos três meses.
4. A auto-avaliação está excessivamente centrada no peso e na forma corporal.
Alguns outros aspectos relacionados à bulimia nervosa precisam ser citados: ela, assim como a anorexia nervosa*, é até nove vezes mais freqüente em mulheres do que em homens, aparece no início da idade adulta (por volta dos 25 anos); parece existir uma piora da sintomatologia no período pré-menstrual; a pessoa tem muita vergonha dos seus hábitos alimentares inadequados; as temáticas principais das conversas são peso, calorias, dietas; quadros depressivos, ansiosos, de abuso e dependência de drogas (álcool, moderadores do apetite e cocaína) estão freqüentemente associados ao transtorno alimentar; uma história de obesidade ou de repetidas dietas é sempre presente.
Assim como na anorexia nervosa*, uma outra característica é a prática de exercícios excessivos, aqui também associados a várias complicações.
A bulimia nervosa tem também importantes conseqüências clínicas como, por exemplo, alteração do funcionamento cardíaco; lesões intestinais pelo uso prolongado e inadequado do laxante; lesões renais pelo uso de diuréticos; lesões nos dentes, no estômago e no esôfago, devido aos vômitos e outras que não caberiam neste artigo.
Infelizmente, e por razões que não entendo totalmente, é muito fácil fazer vários “tratamentos” que facilitam o aparecimento da bulimia nervosa e mantêm o quadro quando já instalado. Novamente, a fácil obtenção de “dietas”, medicamentos e outros artifícios para que haja uma perda de peso desnecessária e perigosa é criminosamente fácil!
Além disso, vários profissionais não acreditam ou não conhecem o conceito de transtorno alimentar* (ele é relativamente recente) e, ao invés de ajudar, literalmente humilham os pacientes, chamando um problema sério de “frescura” ou “falta do que fazer”. Isto se deve, em parte, ao fato de que a bulimia nervosa foi descrita como um transtorno separado da anorexia nervosa, apenas em 1979. Devido a isto, vários profissionais da área de Saúde não têm um conceito bem formado sobre esta patologia.
Se você acredita que tem um problema alimentar, mesmo que diferente de bulimia nervosa (lista acima), procure vencer sua vergonha e qualquer má experiência que você tenha tido ao procurar ajuda antes. Existem vários centros especializados no tratamento de transtorno alimentar. Caso não saiba como fazer, procure o serviço de Psiquiatria do(s) hospital(is) universitário(s) de sua cidade. O importante é você não subestimar o problema e procurar ajuda adequada rapidamente.
Mais importante de tudo e repetindo o que já foi dito: não se engaje em estratégias, exageradas ou não, para perda de peso sem consultar profissionais competentes!
Referência: Terra Vida e Saúde |
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